O nosso respeito às mulheres chinesas

Terminaram os Jogos de Pequim para nós. Estamos voltando ao Brasil. Foi a primeira vez que assistimos a uma Olimpíada in loco. Havíamos acompanhado as edições anteriores apenas pela televisão. Depois desse tempo que passamos aqui, tivemos que mudar nossa opinião sobre este grande evento e a China. Cada dia uma surpresa, e a certeza de que à distância não dá a dimensão exata das coisas.
A primeira delas está relacionada aos ingressos. Falava-se que todos já estavam esgotados, mas foram raras as competições que vimos casa cheia e sem assentos disponíveis. A organização justificou que muitos ingressos corporativos – notadamente de patrocinadores que distribuem a clientes - não foram usados em várias atividades. Além disso, a chuva atrapalhou – embora não tenha chovido tanto assim. Porém, havia lugares vazios em arenas cobertas…
Também nos surpreendemos com a quantidade de cambistas nas ruas próximas dos eventos esportivos, especificamente o Estádio Olímpico ou Ninho de Pássaro. Antes dos Jogos, chineses disputaram a tapa ingressos em filas quilométricas. Parece que parte deles foram parar nas mãos de atravessadores. Além disso, agências de viagens vendem entradas durante os Jogos por encomenda para várias modalidades, o que nos leva a crer que, mais uma vez, ingressos – ou pelo menos parte expressiva deles - não estão com os torcedores.
Uma outra questão observada se refere ao excesso de segurança. A prática não só gerava enormes filas nas portas dos locais de eventos – chegamos a ficar mais de uma hora para entrar no Ninho de Pássaro para assistir as provas de atletismo -, como causava alguns constrangimentos aos torcedores, como abrir sacolas e bolsas sem motivo aparente após as mesmas passarem pelos detectores de metais.
Ou, ainda, voluntários do portão de entrada solicitarem para que máquinas fotográficas, filmadoras, protetores solares etc. fossem usados na frente deles para comprovar que não se tratavam de objetos que poderiam se transformar em perigo.
Também se procurava em bolsas, mochilas e sacolas faixas que pudessem ser dispostas na arena para exibição pública. Por conta disso, em alguns lugares, papéis ou algo que pudesse ter esse fim eram vistoriados. Isso irritava - principalmente estrangeiros - sobremaneira.
Pequim impressiona pela grandiosidade de seus prédios e estabelecimentos comerciais, mas vê-se claramente que nem toda a população está sendo beneficiada por este crescimento econômico magnífico. A China está seguindo o caminho do Brasil em pelo menos um aspecto: a desigualdade social.
Avenidas movimentadas e badaladas, com lojas sofisticadas e de grife e bares da moda, convivem com ruas transversais de casas, prédios e lojas com aparente decadência e em condições precárias. Vimos o mesmo no interior próximo – até maior. Isso, para se transformar em um barril de pólvora, não custa nada.
A China é bela. A Muralha impressiona. Os templos são majestosos. A organização dos Jogos foi boa – tirando a questão dos ingressos e do excesso de segurança, já tratada anteriormente - e os complexos esportivos são dignos de uma competição desse porte. Mas as mulheres são extremamente delicadas, respeitosas e atenciosas nessa terra. Fomos bem tratados por elas por todos os lugares que passamos, sem distinção.
Por isso, às mulheres da China – lembrando, principalmente, as mães que tiveram seus filhos torturados no massacre da Praça da Paz Celestial em 1989 e as camponesas que mais sofrem com a estrutura familiar e de poder extremamente centrada no homem -, o nosso respeito e reconhecimento pelo que fizeram por esse inesquecível país e os Jogos Olímpicos de Pequim 2008.
Até breve!
Caros Augusto e Deilson,
Meio tarde, mas vale.
Parabéns pelo blog. Muito bom. Criativo e alternativo, mostrou detalhes que só um turista acidental pode mostrar, e que raramente a grande mídia apresenta.
Espero poder revê-los.
Um abraço, Luís
P.S. (nos encontramos no primeiro dia do tênis, com chuva, e depois na Muralha)
Parabéns pela cobertura de vocês. Achei muito bacana. Superou minhas expectativas. Beijo! Carol (portal Terra).
É muito bom ver que ainda existe neste país jornalismo sério e comprometido com a realidade.
Vcs mostraram o q ninguém mostrou e troxeram com certeza na bagagem um aprendizado de tudo que viram.
Parabéns pelas matérias e pelo olhar imparcial com q narraram as venturas e desventuras da Olimpíada de Pequim.
Vcs são um talento.
Beijos
Todo o brasileiro, hoje, deveria fazer um boicote aos atletas “estrelas” e “mercenários”, o de não assistir mais as Olimpíadas, acabou gente, vamos cair na real, quem mais vai entregar o ouro de bandeja? A nossa imprensa, a grande Imprensa do Brasil é a principal culpada, pois além de “estragar” os nossos atletas com sensacionalismo barato, ainda puxa o saco dos Americanos e Chineses, que nos roubaram, ou compraram. Nós não temos nem a capacidade de ganhar dos Argentinos, que venceram sem esforços, mérito deles, azar o nosso, ou mais uma “coincidência”. Observando quase todas as modalidades nesta Olimpíada, percebi que ninguém do Brasil nesta Olimpíada participou com o coração, foi com o bolso, ou nos roubaram descaradamente e nenhum brasileiro fez nada.
Foi bem divertido acompanhar o off off-Pequim. Parabéns pelo trabalho!!! abs
“mais sofrem com a estrutura familiar… centrada no homem.” Estais equivocado em sua observação. As chinesas - graças á Deus - ainda não sucumbiram perante o feminismo mórbido, lógicamente inconsistente, internamente incoerente do mundo Ocidental. Sua sociedade é baseada em valores confucianos, onde o interesse do grupo é superior ao interesse individual, onde a harmonia familiar está acima de desejos individuais. As chinesas não vêem nenhum problema na estrutura patriarcal, antes todas reconhecem que todo indivíduo tem o seu devido lugar e destino na família e na sociedade. Independente da carreira que possuam, seu foco principal nunca deixa de ser sua família. O mesmo não pode ser dito da maioria das mulheres Ocidentais que alimentadas pelo sofisma do feminismo e movido pelo mito de que toda mulher é oprimida por um sistema patriarcal cruél, acabaram invertenso seus valores e na tentativa de provarem serem melhores que os homens, acabaram esquecendo toda sua feminidade. Tornaram-se homens e deixaram de ser mulheres. Sua colocação demonstra um profundo desconhecimento da sociedade e cultura chinesa. Mas, assim como os chineses, já estou acostumada com a gritante falta de conhecimento que repórteres estrangeiros demonstram ao falar sobre a China.
Foi muito bom acompanhar com vocês o outro lado da Olimpíada na China. Este, com certeza, deve ter sido o maior momento em que a China mostrou a sua “cara” ao mundo. Eu espero, sinceramente, que alguma coisa boa venha mudar esse pais após este grandioso evento. E digo mais, acho que muito outros como o Brasil devam ficar atentos as injustiças sociais. Boa sorte a vocês e parabéns pelas belíssimas reportagens. Um abraço.