Vc Repórter Pequim

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Augusto Diniz/Deilson Júnior/vc repórter

Terminaram os Jogos de Pequim para nós. Estamos voltando ao Brasil. Foi a primeira vez que assistimos a uma Olimpíada in loco. Havíamos acompanhado as edições anteriores apenas pela televisão.  Depois desse tempo que passamos aqui, tivemos que mudar nossa opinião sobre este grande evento e a China. Cada dia uma surpresa, e a certeza de que à distância não dá a dimensão exata das coisas.
 
A primeira delas está relacionada aos ingressos. Falava-se que todos já estavam esgotados, mas foram raras as competições que vimos casa cheia e sem assentos disponíveis. A organização justificou que muitos ingressos corporativos – notadamente de patrocinadores que distribuem a clientes - não foram usados em várias atividades. Além disso, a chuva atrapalhou – embora não tenha chovido tanto assim. Porém, havia lugares vazios em arenas cobertas…
 
Também nos surpreendemos com a quantidade de cambistas nas ruas próximas dos eventos esportivos, especificamente o Estádio Olímpico ou Ninho de Pássaro. Antes dos Jogos, chineses disputaram a tapa ingressos em filas quilométricas. Parece que parte deles foram parar nas mãos de atravessadores. Além disso, agências de viagens vendem entradas durante os Jogos por encomenda para várias modalidades, o que nos leva a crer que, mais uma vez, ingressos – ou pelo menos parte expressiva deles - não estão com os torcedores.
 
Uma outra questão observada se refere ao excesso de segurança. A prática não só gerava enormes filas nas portas dos locais de eventos – chegamos a ficar mais de uma hora para entrar no Ninho de Pássaro para assistir as provas de atletismo -, como causava alguns constrangimentos aos torcedores, como abrir sacolas e bolsas sem motivo aparente após as mesmas passarem pelos detectores de metais.

Ou, ainda, voluntários do portão de entrada solicitarem para que máquinas fotográficas, filmadoras, protetores solares etc. fossem usados na frente deles para comprovar que não se tratavam de objetos que poderiam se transformar em perigo.

Também se procurava em bolsas, mochilas e sacolas faixas que pudessem ser dispostas na arena para exibição pública. Por conta disso, em alguns lugares, papéis ou algo que pudesse ter esse fim eram vistoriados. Isso irritava - principalmente estrangeiros - sobremaneira.

Pequim impressiona pela grandiosidade de seus prédios e estabelecimentos comerciais, mas vê-se claramente que nem toda a população está sendo beneficiada por este crescimento econômico magnífico. A China está seguindo o caminho do Brasil em pelo menos um aspecto: a desigualdade social.

Avenidas movimentadas e badaladas, com lojas sofisticadas e de grife e bares da moda, convivem com ruas transversais de casas, prédios e lojas com aparente decadência e em condições precárias. Vimos o mesmo no interior próximo – até maior. Isso, para se transformar em um barril de pólvora, não custa nada.

A China é bela. A Muralha impressiona. Os templos são majestosos. A organização dos Jogos foi boa – tirando a questão dos ingressos e do excesso de segurança, já tratada anteriormente - e os complexos esportivos são dignos de uma competição desse porte. Mas as mulheres são extremamente delicadas, respeitosas e atenciosas nessa terra. Fomos bem tratados por elas por todos os lugares que passamos, sem distinção.
 
Por isso, às mulheres da China – lembrando, principalmente, as mães que tiveram seus filhos torturados no massacre da Praça da Paz Celestial em 1989 e as camponesas que mais sofrem com a estrutura familiar e de poder extremamente centrada no homem -, o nosso respeito e reconhecimento pelo que fizeram por esse inesquecível país e os Jogos Olímpicos de Pequim 2008.
 
Até breve!

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  1. Fabiano de Oliveira » Postado em: 19 de agosto, às 12:39

    Foi bem divertido acompanhar o off off-Pequim. Parabéns pelo trabalho!!! abs

  2. Macintoshico » Postado em: 19 de agosto, às 14:32

    Todo o brasileiro, hoje, deveria fazer um boicote aos atletas “estrelas” e “mercenários”, o de não assistir mais as Olimpíadas, acabou gente, vamos cair na real, quem mais vai entregar o ouro de bandeja? A nossa imprensa, a grande Imprensa do Brasil é a principal culpada, pois além de “estragar” os nossos atletas com sensacionalismo barato, ainda puxa o saco dos Americanos e Chineses, que nos roubaram, ou compraram. Nós não temos nem a capacidade de ganhar dos Argentinos, que venceram sem esforços, mérito deles, azar o nosso, ou mais uma “coincidência”. Observando quase todas as modalidades nesta Olimpíada, percebi que ninguém do Brasil nesta Olimpíada participou com o coração, foi com o bolso, ou nos roubaram descaradamente e nenhum brasileiro fez nada.

  3. » Postado em: 19 de agosto, às 21:12

    É muito bom ver que ainda existe neste país jornalismo sério e comprometido com a realidade.
    Vcs mostraram o q ninguém mostrou e troxeram com certeza na bagagem um aprendizado de tudo que viram.
    Parabéns pelas matérias e pelo olhar imparcial com q narraram as venturas e desventuras da Olimpíada de Pequim.
    Vcs são um talento.
    Beijos

  4. Carol Rocha » Postado em: 24 de agosto, às 14:49

    Parabéns pela cobertura de vocês. Achei muito bacana. Superou minhas expectativas. Beijo! Carol (portal Terra).

  5. Luis Gomes » Postado em: 1 de setembro, às 18:24

    Caros Augusto e Deilson,
    Meio tarde, mas vale.
    Parabéns pelo blog. Muito bom. Criativo e alternativo, mostrou detalhes que só um turista acidental pode mostrar, e que raramente a grande mídia apresenta.
    Espero poder revê-los.
    Um abraço, Luís
    P.S. (nos encontramos no primeiro dia do tênis, com chuva, e depois na Muralha)

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Deilson Júnior/vc repórter

A bebida do povo na China chama-se erguotou, feita à base de arroz. É a cachaça chinesa, só que com teor alcoólico mais alto: 56%. Vendida em garrafinhas de 100 ml, custa três yuans (menos de um real). Pode ser encontrada em mercearias e mercados em toda a China.

Há também a versão em 500 ml pelo preço de oito yuans (cerca de dois reais). Erguotou é apreciada durante o almoço e o jantar mas, como a nossa pinga, é também consumida para espantar a tristeza e os dessabores da vida difícil por aqui da população mais carente.

Apesar de forte, a bebida não tem um cheiro e gosto predominante de álcool. Porém, essa faceta engana e deixa qualquer desavisado de porre.

O erguotou também é encontrado em lojas de bebidas importadas. Porém, nesse caso, vem em uma caixa vistosa. O preço é bem mais caro que em pequenas lojas tipicamente chinesas. É para gringo ver. No Brasil, a cachaça segue a mesma prática de oferta aos apreciadores.

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  1. Vinicius » Postado em: 18 de agosto, às 15:09

    Caraca… Os caras ganham uma viagem de graça pra China, e em vez de usar isso sabiamente, ficam escrevendo sobre a ”cachaça chinesa”…. Esse é o povo brasileiro, mas preocupado em ficar na brisa do que adquirir conhecimentos importantes e interessantes…. =/

  2. Henrique » Postado em: 18 de agosto, às 15:26

    Off topic
    Sobre os atletas brasileiros nas olimpiadas.

    1- a pressao sobre os atletas brasileiros é muito maior do que se imagina. nao bastasse a pressao que todos os outros atletas ja sofrem, os brasileiros ainda carregam a pressao de competir por 190 milhoes de pessoas. Sao tao escassos os nossos atletas que sentimos cada vitoria como sendo nossa vitoria.
    Americanos, por exemplo, competem por si, eles querem ganhar, eles se esforçam para ganhar, mas para o país, salve rarissimas exceções, aparecem como mais um a ganhar, apenas um numero a mais no quadro de medalhas.

    2- O Brasil é dirigido por um bando de corruptos avidos pelo dinheiro publico. Os brasileiros em geral são boas pessoas, tem emoção e competencia e demonstram isso quando há investimento. O pontencial é enorme.
    Eu daria muito mais valor ao Brasil, se tivesse educacao, cultura, saude e esporte para todos e ainda assim nao ganhassemos nenhuma medalha. O governo tem que preparar o povo para a vida, nao para as olimpiadas. Os atletas de alto rendimento aparecem naturalmente qdo se tem estrutura. Medalha em olimpiada nao deve ser o nosso foco, deve vir como consequencia.

  3. Antonio Sergio » Postado em: 18 de agosto, às 16:04

    Essa eh para o Vinicius:

    Antes de fazer critica voce deve examinar a materia. Verificar a autoria.

  4. Vinicius » Postado em: 18 de agosto, às 16:18

    Antonio Sérgio, a autoria é dos dois brasileiros que ganharam a promoção do vc repórter e estão na China junto com a equipe do site, certo? Eles não são brasileiros?
    Então a crítica é pro texto deles mesmo… Sem mais…

  5. Mari » Postado em: 18 de agosto, às 21:50

    que isso gente freedom ja ouviram falar??diplomacia liberdade de expressao.
    Vinicius e Henrique vcs sao gente fina vamo la Galera!!
    respeitem a diferenca …um abracao deixem rolar as medalhas somos todos querreiros vcs sabem disso.

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polo2_514.jpg

Pólo aquático é um esporte sem tradição no Brasil. Não é à toa que nem a equipe masculina nem a feminina se classificaram para os Jogos.

Na China, pelo jeito, a prática também carece de desenvolvimento. Retrato maior foi a derrota da equipe feminina da China para a Austrália, por 12 a 11, pelas quartas-de-final do torneio da modalidade, no Parque Aquático Ying Tung, em Pequim.

Logos após terem perdido a partida, os torcedores chineses saíram em debandada e a torcida holandesa, com suas camisas laranjas, passaram a dominar a arena. É que no segundo jogo, o time feminino da Holanda enfrentaria a Itália, atual campeã olímpica, também pelas quartas-de-final da Olimpíada. Esta partida foi mais emocionante – e bem melhor. Terminou empatada no tempo normal e na prorrogação. O jogo foi para os pênaltis e a Holanda ganhou e se classificou para a semifinal.

A torcida holandesa é uma maravilha. O quadro de torcedoras é um delírio. Ficamos felizes por elas.

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  1. Fabiano de Oliveira » Postado em: 18 de agosto, às 17:48

    Nas Olimpíadas de Sydney, quando estive por lá fazendo a cobertura, as holandesas eram as que mais trocavam camisetas e acessórios do seu país por lembranças de outros, em especial o Brasil. Tenta aí, Augusto!!! E você ainda ganha um sorriso de uma holandesa… ;-)

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Augusto Diniz/vc repórter

Não, não é pagode com feijoada. Pagode na China é lugar para meditar. O Templo Miaoying da Dágada Branca, ou o Templo do Pagode Branco, é o maior e mais antigo da China em uma das correntes do budismo. É datado de 1271.

Fora do badalado circuito dos templos turísticos da capital, ele é o que melhor representa na arquitetura o budismo proveniente do Nepal, onde Buda se originou.

O pagode é onde se abriga imagens religiosas. Neste, há também cinzas de ancestrais. Por conta disso, ele não é aberto. Mas o templo onde ele está inserido sim.

Estes templos são divididos em diversos salões. Em geral, o primeiro salão é aberto com uma grande imagem de Buda, encostado a Wei Tuo, protetor da doutrina budista, e ladeado pelos Quatro Reis Celestiais (uma espécie de guardiões).

Dependendo do templo, os próximos salões variam, mas todos apresentam manifestações de Buda. No Templo do Pagode Branco, uma inacreditável coleção de estatuetas budistas recolhidas em diversas dinastias da China, é o grande destaque – além da não existência de tráfego de pessoas para conhecê-lo.

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  1. » Postado em: 17 de agosto, às 22:15

    Já estava até pensando em como seria o samba chinês…
    hehehehehehe
    Beijos

Augusto Diniz/vc repórter

O Estádio Olímpico, mais conhecido como Ninho de Pássaro, principal sede dos Jogos de Pequim, é o templo dos farofeiros. A obra mais cara dos complexos esportivos construídos para a Olimpíada se transformou em uma atração turística tão grande, que as competições passaram a ter importância menor para os torcedores. O que vale mesmo é ir lá e fazer uma foto junto com essa impressionante construção.

No Ninho de Pássaro, tudo transcorre de forma diferente das outras praças esportivas. A começar pelo lado de fora do estádio. Dezenas de cambistas se acotovelam oferecendo ingressos aos estrangeiros sem cerimônia. Uma multidão de sem-ingressos fica postada em uma avenida que dá acesso ao local só para ver o movimento ou tirar uma foto à distância desse novo cartão postal chinês.

Os que entram disparam as máquinas fotográficas a todo tempo. O Centro Aquático, ou Cubo d’Água, com seu formato e iluminação multicolorida, como fica ao lado do estádio, também é bravamente fotografado. Alguns fazem malabarismos para registrar suas imagens.

Na área de alimentação do Estádio Olímpico se vende desde refrigerantes a quentinhas de comida chinesa. O movimento é frenético nesse departamento. É uma farra gastronômica para toda família. Além disso, dentro do estádio, há um balcão para venda somente de cervejas. Desta área não saíam russos, alemães e escandinavos.

Nos autos-falantes da área externa se ouvia Kenny G.

Várias provas acontecendo ao mesmo tempo no Ninho de Pássaro – prática comum nas competições de atletismo – faziam as pessoas se dispersarem ainda mais das provas e se centrarem no espetáculo maior que é estar ali, participando de um acontecimento mundial dentro dessa monumental obra.

Somente quando um ou outro chinês competia é que se via um agito maior nas arquibancadas, do tipo aquelas de bola próxima a área do gol e a galera gritando. Ou então quando a prova mais nobre do atletismo, os 100 metros rasos, apresentava seus grandes atletas, como o norte-americano Tyson Gay e os jamaicanos Usain Bolt e Asafa Powell.

O Ninho de Pássaro estava lotado. O esforço de marketing para transformar o estádio em um símbolo da Olimpíada de Pequim deu certo.

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  1. DECIO - SANTOS/PRAIAS » Postado em: 15 de agosto, às 21:00

    PELO COMENTARIOA ANTERIOR JEITO VC É MAIS UM DOS NOVOS BRAZUCA QUE GOSTAM DA MUSICA RIDICULA QUE ROLA NOS BAILE FUNK. VCS TAO CHEGANDO AGORA E NEM SABEM O QUE É MUSICA.

  2. americano » Postado em: 15 de agosto, às 21:27

    Esse personagem deve ter ido a Pequim com a incumbencia de meter o pau na China e relata fatos os mais absurdos. Sobre o andamento dos jogos não dá noticia nenhuma. Até parece que aqui não tem cambistas. O que não tem aqui é gente com poder aquisitivo para comprar maquina fotográfica e ficar disparando. O que não tem aqui é um estadio como esse, que é mesmo o símbolo da Olimpiada. Vai ser chato assim lá na China.

  3. valmir » Postado em: 15 de agosto, às 21:28

    quem me dera um dia ter um estadio deste aqui no brasil, tenho certeza que os farofeiros que estão visitando o minho tem muito mais cultura do imbecis que escreveu esta materia.

  4. eduardo » Postado em: 15 de agosto, às 21:41

    opa.
    o decio defendeu kenny g?

    se fuder, música de pobre.
    deve ter tocado na formatura dele. no casamento. na comunhão. nos 15 anos da filha. é foda ter espírito de vileiro

  5. Mazé » Postado em: 15 de agosto, às 21:41

    Gente !!! Quanta raiva e quanta falta de percepção… Eu entendi perfeitamente o post do blogueiro, É muito possível estar acontecendo tudo isso. É tudo festa gente ! Sem neura, tá? Feliz ele que pode estar lá no meio do mundo. Porque o meio do mundo agora é o Ninho do Pássaro.

De�lson Júnior/vc repórter

A minoria muçulmana que vive em Pequim se concentra próxima a maior e mais antiga mesquita da cidade, localizada ao sul da capital. Nos dois quarteirões em frente ao templo, carne de carneiro é vendida como carne-de-sol no interior do Nordeste, exposta no açougue sem refrigeração, e roupa lavada é estendida na calçada. Também se conserta bicicleta em uma esquina, na rua mesmo.

Nos postes, um emaranhado de fios se liga aos prédios e casas da localidade. Em Niu Jie, cabos ainda não correm nos subterrâneos de Pequim, como nas áreas nobres e do centro. Cabeleireiro integrado a uma casa de massagem chinesa levanta uma suspeita já avisada por muitos por aqui: estabelecimentos desse tipo são fachadas de casa de prostituição.

O aparente abandono da região contrasta com a imponente mesquista – que hoje se encontrava fechada para visitas.

Na China, existem cerca de 20 milhões de muçulmanos. Uma boa parte habita a região Noroeste do País.

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  1. Mazé » Postado em: 15 de agosto, às 22:00

    Ninguém comentou este post ainda porque? Tem muita coisa pra se falar - por exemplo: a gente olhando assim, não vê muita diferença de nossos bairros, exceto pelo emaranhado de fios. Mas, será? Nossas periferias também têm esse emaranhado…e são “gatos”. Mas, se isso na foto é periferia…que dizer das nossas ! Estou curtindo todas as informações desse blog, muito bom!

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Augusto Diniz/Deilson Júnior/vc repórter

Estamos a cerca de 90 quilômetros da cidade de Pequim. Pela primeira vez, avistamos montanhas na China. O carro estaciona depois de andarmos alguns quilômetros morro acima.

Daí, começamos a caminhar entre dezenas de barracas de souvenirs e muitos camelôs. Um sujeito vestido de soldado da Dinastia Ming se oferece para tirar fotos com turistas – óbvio, em troca, pede uns trocados.

Mais à frente, uma senhora com um camelo de duas corcovas – animal originário do deserto da China – informa aos visitantes que podem tirar fotos com o bicho, desde que se pague. Pegamos um bonde que nos deixa no topo da montanha.

Passamos a caminhar de um lado para o outro nessa colossal obra de 6 mil quilômetros – lógico, fizemos um percurso brevíssimo, de no máximo um quilômetro. Mas já deu para ver a magnitude do monumento.

Em algumas passagens estreitas, engarrafamento de gringo subindo e descendo escadas. Em uma das torres, encontramos o chinês Liu. Ele vende banana, cerveja, água, refrigerante, alguns biscoitos, sobre um pequeno tampo de madeira improvisado, para os turistas que estão por ali.

Liu é indiferente à grandeza que o cerca. Ele nasceu em uma vila ali perto e hoje, com 62 anos, vê nesta sua atividade nada mais do que um meio de ganhar a vida. O local para Liu não impressiona. Este simples homem chinês trabalha na mais impressionante construção do homem: a Muralha da China.

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  1. » Postado em: 14 de agosto, às 07:50

    Nogu, cadê a disposição?
    1km? Só?
    hehehehehehe
    Q bacana…
    Deve ter sido bem legal.
    Afinal ir a China e não conhecer a Muralha é igual vir ao Rio e não conhecer o Cristo…
    Beijos

  2. Pitoca » Postado em: 14 de agosto, às 17:23

    Imagino a emoção!
    Beijos

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Augusto Diniz/vc repórter

Demos um ippon na China
 
O brasileiro Eduardo Santos não conseguiu se classificar para disputar o bronze após ser derrotado pelo suíço Sergei Aschwanden, na repescagem na categoria até 90 quilos do judô, mas a sua primeira luta, contra o chinês Yanzhu He, nos soou como uma medalha de ouro.

Na arquibancada, o grito de guerra dos chineses nesta Olimpíada – “Zhong Guo, Jia You” (algo como “para frente, China”) – mexeu com o nosso brio. Ali, junto com meia dúzia de brasileiros, nos sentimos um David na luta contra Golias.

O nosso herói brasileiro, mesmo tendo fracassado depois, nos deixou de peito estufado para seguirmos assistindo à modalidade no Ginásio da Universidade de Ciência e Tecnologia de Pequim.

Por outro lado, Ikeda Takaaki, repórter do maior jornal japonês, o Asahi Shimbun, que chega a imprimir quatro milhões de exemplares por dia, nos confessou que a globalização do judô o entristece. “O judô mudou muito e não é hoje aquilo que foi criado no Japão”, afirma.

De acordo com o jornalista, somente a judoca japonesa Ayumi Tanimoto, que conquistou no dia 12 a medalha de ouro na categoria até 63 quilos, pratica o verdadeiro judô originado em seu País. “No mundo, ninguém pode ganhar dela”, resume.

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  1. » Postado em: 13 de agosto, às 15:55

    Nossa, imagino a emoção… Um ginásio lotado de chineses, meia dúzia de brasileiros, e um duelo de titãs…
    Estou amando a cobertura de vcs…
    Beijos

  2. gustavo » Postado em: 13 de agosto, às 15:56

    Concordo com o comentário do japonês quanto ao judo criado no Japão. Na verdade o judo atual, virou uma trocacação de força absurda e está muito semelhante a luta olímpica, só que de judogui.

  3. Davi Matos » Postado em: 13 de agosto, às 16:17

    não é david,,é DAVI

  4. Bueno » Postado em: 13 de agosto, às 16:21

    Bem coisa de brasileiro mesmo… faz o mais dificil e tropeça no mais fácil…
    Tem que treinar mais e manter o equilíbrio emocional… Porque nossos judocas e esportistas em geral vão bem em seus mundiais e na Olímpiada fracassam…??? Só tem uma resposta: DESEQUILÍBRIO EMOCIONAL.

  5. Maria Paula » Postado em: 14 de agosto, às 01:48

    Prezado Davi,

    na verdade, em português ambas as grafias do seu nome são aceitas, tanto “Davi” quanto “David”.

    Sendo a primeira mais utilizada no Brasil e a segunda mais utilizada em Portugal. Não se espante se algum português pronunciar o seu nome como “Davide”, com um curto “e”após o “d” (como uma semi-vogal).

Augusto Diniz/vc repórter

Depois de percorrermos cerca de 40 quilômetros em mais de uma hora de viagem, chegamos ao Parque Olímpico de Remo e Canoagem Shunyi. Nas arquibancadas, uma surpresa: os chineses eram minoria. O público presente compunha-se de australianos, ingleses, poloneses, franceses, italianos, entre outros europeus.

Foi a primeira vez que vimos uma arena da Olimpíada não ocupada, em sua maioria, pelos anfitriões.

O taxista Zhu Chun Ming, 47 anos, residente em Pequim, disse que só conhece a modalidade pela televisão. “Não iria assistí-la nos Jogos. Não gosto desse esporte”, afirmou na porta da praça esportiva. Zhu prefere vôlei e sabe que o Brasil é uma potência nesse esporte. Além do mais, ele disse que tem que trabalhar – adiantou que não menos 12 horas por dia.

A única filha entra para a universidade em setembro e, apesar de todas serem públicas, paga-se para freqüentá-las. Por causa da Olimpíada, Zhu explicou que está conseguindo juntar um pouco mais de dinheiro.

Na arena da canoagem, também foi a primeira vez que vimos uma premiação nos Jogos. E ainda a primeira medalha olímpica de Togo, pequeno país africano – aliás, muito festejada pelos torcedores presentes. A medalha, de bronze, veio através de Benjamin Kudjow Thomas, na categoria canoagem slalom K1. O ouro ficou com Alexander Grimm, da Alemanha, e a prata com Fabien Lefevre, da França.

Na outra categoria, na slalom C1, o eslovaco Michal Martikan levou o ouro, a prata ficou com o britânico David Florence, e o bronze com o australiano Robin Bell.

O Brasil estréia no dia 13 na modalidade, com Poliana Aparecida de Paula, na categoria canoagem slalom K1. Já o outro atleta brasileiro da modalidade, Nivalter Santos, participa dos jogos na categoria canoagem velocidade C1-500 metros, no dia 19.

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  1. » Postado em: 12 de agosto, às 17:45

    Nogu, estou amando sua cobertura, acho q toda olímpiada vc deveria ir…
    Estamos realmente com saudades e doidos pra saber os bastidores dos bastidores…
    As fotos tb estão ótimas, vcs formaram uma dupla a tanto…
    Vc gostou da mensagem do seu novo “sobrinho”?
    Já sabe quem sou eu?
    Beijos

  2. Alini Brito » Postado em: 12 de agosto, às 18:01

    Estou gostando do perfil das matérias, bem sua cara essa coisa de olhar o entorno o “real” fora do espetáculo Olimpíada.
    Abraços!
    Alini Brito

  3. Regina » Postado em: 13 de agosto, às 13:46

    Alguem por favor faça chegar ao Diego Hipolito a informação de que o Mantra que ele está mentalizando não é nada bom: “Não vou errar”. Ao mentalizar um Mantra com a palavra “Não” a mente irá excluir o “Não” da frase. Qdo se diz a mente “Eu não vou errar” ela vai registrar “Eu vou errar”. Mantras q sugiro a ele: “Eu vou acertar”, “Eu vou ganhar”, “O outro é meu”.

  4. Felipe Serra » Postado em: 13 de agosto, às 16:08

    Concordo com o jornalista japones, a maioria das lutas sao muita forca e pouca tecnica, de cada 10 lutas so 1 presta e o tao sonhado “caminho da suavidade” foi para o espaço.

  5. José Fantin » Postado em: 13 de agosto, às 16:12

    Não há o que comentar diante deste horror.que povo é este??? gente????
    O Dalai está na França ??? Fazendo oque?
    Mostrem isto pela midia mundial.Recebi em meus emails.
    Isto é inacreditaavel

    ENTRE NESTE SITE E OLHE O QUE ELES FAZEM COM OS ANIMAIS AINDA VIVOS:
    http://www.petatv.com/tvpopup/video.asp?video=fur_farm&Player=wm&speed=med

Augusto Diniz/Deilson Júnior/vc repórter 

Fomos finalmente à Praça da Paz Celestial, em Pequim. Lá, em junho de 1989, um movimento democrático liderado por estudantes pedia reformas políticas. Porém, o ato foi violentamente reprimido pelo governo. Cerca de 3 mil pessoas morreram nos protestos, outras milhares foram presas (e estão até hoje na prisão) e torturadas. Muitos se exilaram em diferentes países.

Na década de 70, durante a repressão política da ditadura militar, o jornal O Estado de São Paulo publicava receitas de bolo e trechos de Os Lusíadas, de Luís de Camões, para encobrir notícias censuradas pelo governo – todos já sabiam que ali a repressão havia atuado. É o que faremos agora para simbolizar o sentimento que tivemos ao caminhar por este emblemático lugar:

“Qual contra a linda moça Policena,
Consolação extrema da mãe velha,
Porque a sombra de Aquiles a condena,
Co ferro o duro Pirro se aparelha;
Mas ela, os olhos, com que o ar serena
(Bem como paciente e mansa ovelha),
Na mísera mãe postos, que endoudece,
Ao duro sacrifício se oferece:”

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  1. Vitor Leonardo de Queiroz » Postado em: 12 de agosto, às 10:51

    Pai….vc está super bem ai na cobertura das olimpiadas…….Só q estou com saudades….
    Ah não esquece de compras meu brinquedos…..

    Bjs
    T amo
    Vi

  2. Vitor Fernandes Pinheiro » Postado em: 12 de agosto, às 15:49

    E não esquece do xará dele tb.

    Abraços Nepomuce que Deus te ilumine cada vez mais.

    Vitor

  3. » Postado em: 12 de agosto, às 17:48

    Por que então se chama praça da PAZ celestial se as pessoas ainda estão presas?
    Obrigado pela informação, não sabia mesmo…
    Beijos

venceram a promoção e estão na China com a equipe Terra.